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Aqui encontra tudo o que precisa para ser um empreendedor frustrado

- 2ª Edição -

Novos Incentivos à Criminalidade

Ideias & Negócios Falhados dá-lhe a conhecer os novos programas que apoiam a actividade criminosa. O SAGE (Sistema de Apoio à Gatunagem e Exploração) e RIME (Regime de Incentivo a Mafiosos Empreendedores) são vocacionados essencialmente para pequenos negócios ilegais que pretendam expandir a sua actividade. Extorsão, tráfico de droga, homicídio, burla, assalto à mão armada e apoio à imigração ilegal são as principais áreas a ser contempladas pelo POC - Programa Operacional da Criminalidade para o ano 2001. Definitivamente fora deste regime estão actividades como o rapto, contrabando de tabaco e falsificação de moeda. Em alta estão os negócios das novas tecnologias, sobretudo as acções criminosas que envolvam fraudes informáticas, para as quais estão previstos mais de 5 milhões de contos. O maior problema que as empresas desta área vão encontrar é o acesso às candidaturas, já que os impressos de inscrição terão de ser roubados da sede do IAPMEI.


Last Tuesday reúne Empreendedores Falhados

Como já é habitual nas últimas terças-feiras de cada mês, a revista Ideias & Negócios Falhados organizou mais uma edição do Last Tuesday, uma reunião informal que junta empreendedores falhados e investidores interessados em perder dinheiro. "O final do mês é sempre uma boa altura para fazer negócios e, claro, como o pessoal está apertado com as massas dá sempre jeito um almocinho à borla", disse Daniel Desdentado, director da revista e um dos promotores da iniciativa. Sob o lema "Depene-se Já", a reunião deu a conhecer vários projectos com elevado potencial de falência, com destaque para a "Pé Rapado", um franchising de Calistas ao domicílio.


Portal Putecha desenvolvido pela empresa Playburra.com

A maior empresa alentejana de entretenimento para adultos, a Playburra, vai desenvolver em parceria com a Boite Mula Ruge, de Beja, o primeiro portal Business-to-business (B2B) para bares de alterne. O Putecha vai permitir fazer toda a gestão dos negócios de prostituição via internet, oferecendo um conjunto de serviços que vão desde a organização dos stocks de prostitutas e da carteira de clientes, até à gestão de encomendas e fornecedores. "Com este sistema a nossa vida fica muito mais facilitada pois quando recebermos a visita, por exemplo, de um cliente com preferências sado-masoquistas, através do portal Putecha poderemos saber em poucos segundos quantas profissionais especializadas existem na nossa área e quais os fornecedores que as têm disponíveis" explicou Isidoro Carneiro, gerente da Boite Mula Ruge. A Playburra espera ter o Portal em funcionamento já a partir de Março de 2001 e prevê que este vá servir mais de duas mil empresas alentejanas do ramo.


Meia-Rota & Companhia recicla peúgas rasgadas

Já imaginou ver as suas peúgas "rotas", recicladas e prontas a reutilizar? Alexandrino Monteiro e Ramiro Castelão eram colegas de quarto na universidade, quando descobriram que tinham ambos o mesmo problema: estavam sempre a rasgar as peúgas. Mas um pormenor fazia a diferença. É que Alexandrino rompia as peúgas no dedo grande do pé e o Ramiro rompia no calcanhar. Foi a partir dessa feliz descoberta que se lançaram num dos mais falhados negócios dos últimos anos. A empresa criada pelos dois jovens, a "Meia Rota e Companhia", recicla anualmente mais de 100 mil pares de peúgas: "Periodicamente fazemos a recolha de peúgas 'rotas', de seguida é só juntar as duas peças e colocar o produto no mercado", diz Ramiro Castelão. Depois do insucesso do projecto, os dois empreendedores pensam já na internacionalização do seu negócio.


Mike Flop fala dos "Novos Desafios para o Insucesso"

"Nos dias que correm o verdadeiro desafio é perder cada vez mais dinheiro, cada vez mais depressa ... esse é o caminho certo para a falência". Quem o diz é Mike Flop, um dos gurus do empreendedorismo falhado, que esteve em Portugal para participar no Seminário "Novos Desafios para o Insucesso". Este americano de 53 anos teve a sua primeira falência ainda no Liceu e conta no seu currículum com inúmeras passagens por algumas das mais conceituadas prisões do seu país. "O factor decisivo para o insucesso não é como conseguir o capital, mas antes como desperdiçá-lo nas coisas mais inúteis", explica. A pedido da Ideias & Negócios Falhados, Mike Flop elaborou os 10 Mandamentos do Empreendedor Falhado, que poderá ler nesta página.


Software "Desculpas de Mau Pagador" para PME's

A partir de agora vai ser mais fácil às empresas inventar desculpas quando se atrasam nos pagamentos aos fornecedores. O Desculpas de Mau Pagador é um software especificamente criado para auxiliar as empresas a justificar os habituais atrasos no envio de cheques. "Sempre que a empresa receber uma chamada do fornecedor, o funcionário tem acesso ao historial de desculpas que já lhe foram dadas, recebendo imediatamente a argumentação a usar desta vez", explicou Joaquim Farfalho da empresa Calote Global, criador do Desculpas de Mau Pagador. A base de dados de desculpas inclui algumas soluções muito inovadoras: "acabou a tinta em todas as canetas e por isso não podemos preencher cheques" ou "o patrão partiu o braço direito e não pode assinar documentos". Para o clássico "o cheque extraviou-se no correio" o programa apresenta alternativas interessantes como "a carrinha do correio foi assaltada" (inclui software de paginação para falsificar uma notícia de jornal a comprovar o incidente) ou "o carteiro foi assassinado" (já vem com minutas de certidão de óbito para envio ao cliente).


Os 10 mandamentos do empreendedor frustrado
segundo o guru Mark Flop

1. Procure colaboradores de confiança. É importante que tenha do seu lado bons profissionais que o apoiem no caminho para o fracasso. Cadastrados com várias passagens pela cadeia e empresários com longo historial de falências são sempre bem-vindos.

2. Aprenda a mentir como ninguém. Com a febre da Nova Economia uma boa mentira é suficiente para persuadir os investidores a darem-lhe dinheiro. Aprenda um ou dois conceitos e meta pelo meio da conversa termos como business-to-business, CRM, start-ups e globalização.

3. Saiba aconselhar-se com os melhores profissionais. Visite regularmente Cartomantes, Tarólogas, bruxas, mestres africanos ou macumbeiros do Brasil. Eles devem ter sempre uma palavra a dizer no planeamento estratégico do seu projecto.

4. Não se assuste com grandes desafios. Por muito bem sucedido que pareça um negócio, há sempre possibilidade de o levar ao fundo. Nunca esqueça o exemplo do Titanic.

5. Gastar, gastar, gastar! É fundamental que comece a esbanjar dinheiro logo à saída do banco. Compre a primeira inutilidade que lhe apareça à frente e não pare até ter perdido metade do capital.

6. Não perca muito tempo com pormenores. Os contratos são um desperdício de dinheiro e nunca servem para nada. Avance com o negócio que as coisas hão-de se resolver sozinhas ... se não me engano havia um tal Adam Smith que passava a vida a falar numa mão invisível que orientava o mercado, ou qualquer coisa do género!

7. Obedeça religiosamente a todos os palpites, pressentimentos e premonições. Eles são um indicador importante para qualquer negócio. A página dos signos é uma boa base de trabalho, mas há outras. O número de carros funerários que viu naquele dia ou o lado da cama em que acordou também devem ser interpretados com cuidado.

8. Faça sempre as contas por alto. Na maioria dos negócios perde-se demasiado tempo com planos de custos e contabilidadezinhas meticulosas. Mais número menos número não vai fazer grande diferença!

9. Procure fazer as coisas com estilo. Ninguém se vai lembrar da falência do Sr. Martins, que tinha uma Renault 4L. Compre um Jaguar e atafulhe o escritório com mobília italiana. Uns quantos fatos de marca também não são de desprezar.

10. Um conselho final: esteja sempre preparado para enfrentar o sucesso. Por muito bom que seja o seu projecto, o fracasso nunca está garantido.

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